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quinta-feira, 21 de julho de 2016

[CC01] Conclusão alternativa

        Infelizmente, nem tudo que escrevemos poderá ser encenado por questões de tempo. Resolvi, então, postar cenas cortadas do roteiro. Espero que gostem. Há nela muitas referências a A Divina Comédia, de Dante Alighiere. Tentei aproximar meu método de escrita ao dele.

Adelaide: Com toda a enlouquencia, o fim nos pega,
Mais uma vez a arte nos mostra,
Algo que a sociedade nos cega.

Torquato: Num tempo que o mundo não mais se incomoda,
Que os amantes se veem cada vez mais sufocados,
Óh triste tempo que o amor saiu de moda.

A mulher vista como franzina,
Negado seu papel de heroína,
Por um mundo insensível.

Adelaide: O homem visto como pedra,
Ser amargo que não amarela,
E não pode chorar.

Vejo-me agora indecisa:
Será eu alma tão ruim,
Que da felicidade não posso aproveitar nem uma leve brisa?

Torquato: Achei-me agora confuso, tendo perdido a verdadeira estrada.
Não creio que nosso amor possa ser negado,
Por tão simples encruzilhada.


Adelaide: Mas por que devemos nos obrigar?
Posso eu sim, amar alguém diferente.
Parar de seguir tal papel vigente que o mundo me obriga
.
Torquato: Poderei eu também abandonar o meu exílio.
Poeta voltarei... à fonte de meu batismo.
Só preciso contar com seu auxílio.

Adelaide: Nesse tempo de crise moral,
Engolidos por governantes
Devemos mesmo enfrentar tamanho mal?

Digo, olhe para nós...
Mesmo que tudo isso mude após,
Somos apenas duas almas perdidas.

Torquato: Veja, minha amada.
O maior conhecimento que adquiri em minha jornada
Foi notar que tais crises só juntos podem ser enfrentadas.

O mal é mesmo gigante,
O temível inferno de Dante,
É a manipulação do que achamos correto.

Nós somos como peixes
A nadar em um lindo aquário de mentiras
Sem nunca ter visto, nem de longe, o mar.

Adelaide: Cabe agora a nós enfrentar,
A olhar um para o outro e aceitar,
Que todos nós somos iguais no quanto somos diferentes.
Neste sereno mundo coberto por estrelas.

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